do JC
Presidente estadual da legenda, Mendonça Filho, e o deputado André de Paula garantem que os 19 prefeitos da sigla vão votar com a oposição em 2010
O presidente estadual do DEM e pré-candidato a deputado federal em 2010, Mendonça Filho, e o deputado federal André de Paula, ex-dirigente do partido, asseguraram, ontem, que os 19 prefeitos do partido votarão com a legenda nas próximas eleições. A garantia de ambos foi, além de uma reação ao adesismo comum às vésperas de eleição, uma resposta à sinalização do prefeito de Vitória de Santo Antão, Elias Lira (DEM), que declarou a possibilidade de apoiar Eduardo em 2010.
Mendonça e André conversaram com o prefeito, que teria reiterado apoio ao grupo, voltando atrás, assim, das declarações feitas no dia anterior, quando Eduardo esteve na cidade e comandou duas inaugurações. Elias Lira vota com André para federal e é ligado ao senador Marco Maciel.
Para Mendonça, o governador está com “síndrome de unanimidade”. “Mas é bíblico: ninguém agrada a dois senhores. E no interior do Estado a gente sabe que a política é acirrada, tem dois lados”, disse ao JC, por telefone. “Vamos ter candidato, e trabalho para ser Jarbas Vasconcelos (PMDB). Não tem eleição ganha de véspera. Eduardo quer cooptar os dois lados (nos municípios). Só que quem conhece política sabe que um dos lados vai traí-lo mais adiante.”
Mendonça acusou o “entorno” de Eduardo de impor “constrangimento” a alguns prefeitos da oposição. “Elias ficou numa situação constrangedora. Mas sabemos que ele é uma pessoa bem posicionada.” Mendonça frisou que teve uma “relação altiva” com os prefeitos da oposição, quando foi governador (2006) e vice de Jarbas Vasconcelos (PMDB) por sete anos. “A parceria é natural, só que há uma ação do governo atual para passar a motoniveladora e arrebanhar o máximo possível.” O ex-governador, que almoçou, ontem, com Jarbas, acredita que agora só falta oficializar o “sim” do senador para enfrentar Eduardo no ano que vem.
André de Paula também engrossa o coro dos que tomam a candidatura de Jarbas como o fôlego vital que o grupo precisa para 2010. A decisão do senador implica na “salvação” ou não para a renovação de mandatos do grupo e eleição de novos nomes. “O poder é inebriante e, no caso de Eduardo, que pode ficar mais quatro anos no governo, é fácil envolver os prefeitos (da oposição). Mas existe o mapa eleitoral formal e o mapa informal. E por este último é que a gente sabe quem está com quem. Dou minha cara a tapa se Elias, por exemplo, migrar para a base. Duvido. Vamos ter jogo disputado com Jarbas e Eduardo em 2010”, prometeu André.