Vocês viram o programa do PSB ontem na TV?
Eu vi. Bem feito, cheio de truques e números camuflados. Pernambuco cresce sim, como disseram, mas não desde que Eduardo é governador.
Pernambuco começou a crescer, de faro, no dia que Miguel Arraes deixou o Palácio das Princesas.
Sobre o desempenho de Ciro, vejam o que escreveu Reinaldo Azevedo:
O PSB ocupou nesta quinta o horário político que lhe cabe. O deputado ex-cearense Ciro Gomes — que agora tem domicílio eleitoral em São Paulo, embora confesse não saber onde fica a Mooca — praticamente monopolizou o programa, secundado pelo verdadeiro dono do partido, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco. Nem no script combinado Campos parecia à vontade dando apoio ao postulante à Presidência da República. E Ciro foi adiante, entre mentiras, enganos e desenganos.
As mentiras
Ciro tem uma fala fluente. Se você não presta atenção ao que diz, corre o risco de se deixar engabelar pela sua logorréia. Abriu o programa com duas mentiras. Sustentou que o aumento real do salário mínimo começou no governo Lula e que foi ele o criador do Bolsa Família.
De 1995 a 2002, no governo FHC, o AUMENTO REAL do mínimo foi de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O Bolsa Família, como é fato, é só um apelido novo para programas sociais criados no… governo FHC! Os petralhas não percam o seu tempo me enviando com números falsos divulgados pelos blogs dos anões a soldo. Tenham ao menos o bom senso de procurar os dados no Dieese e até mesmo no Ministério do Trabalho.
O engano
Ciro se apresentou como um “amigo do presidente Lula”. A sabujice foi um tantinho constrangedora para nós, os telespectadores, que nos acostumamos a vê-lo sempre a dar cotoveladas e caneladas, naquele seu estilo “deixa-que-eu-chuto”. E ainda fez mais.
Abusando um tantinho da metáfora, escrevi aqui outro dia que Ciro descobria tardiamente que sua relação com o PT não era para casar. Lula o queria como concubina — ou, sei lá, um “menino do MEP”, porém numa relação consentida. Isto: mudo a metáfora. Lula o quer como seu “Menino da Arena” (onde ele despontou para a política). Mas “o menino” confundiu tudo. Aspirava à condição de “favorita” (epa!) ou mesmo de primeira esposa. Aí não dá!
No programa, pagou o mico de sugerir que ele foi mais fiel a Lula do que alguns petistas. Havia ali, claro, uma ponta de ressentimento; havia ali uma ponta de cobrança: “Fiz tudo, mas o coroné escolheu outra”. Pois é…
Ciro chegou a andar pra cima e pra baixo com Mangabeira Unger, mas não conseguiu entender o PT. Ou não entendeu o inglês de Mangabeira. Ou não entendeu seu português. Vai saber… Sempre esteve enganado sobre a natureza do partido.
Lula é um líder maior do que o PT, mas o partido se entende como um ente, um organismo vivo, apto a substituir a sociedade e suas instâncias representativas. Apelando, assim, a uma linguagem que vem da ontologia (embora sirva à “antalogia“), pode-se afirmar que, para um petista, “ninguém É se não for do partido”. Entendeu, Ciro? Quer um desenho?
O desengano
Do engano, vem o desengano. Não será o candidato de Lula. A candidata é Dilma. Um tantinho triste, Ciro então se apresenta também como o “pós-Lula”: sem citar nomes, afirmou que uma candidatura é o passado (referia-se ao PSDB), outra é o presente (referia-se a Dilma), e só ele próprio é o futuro.
Posso imaginar um petista da cúpula assistindo ao programa e vendo um mero “aliado” se oferecendo para ser a continuidade ou a renovação do petismo. Ciro volta e meia cita Gramsci. Ou não leu ou não entendeu.
Candidato
O presidente ainda não abandonou a idéia de fazê-lo candidato ao governo de São Paulo e tê-lo como atirador de aluguel — um aluguel amoroso, de Lula para “Menino da Arena” — em São Paulo. Não para ganhar o Palácio dos Bandeirantes (seria esmagado por Geraldo Alckmin), mas para tentar desconstruir a imagem de José Serra caso o atual governador concorra mesmo à Presidência.
E o que Ciro ganha em troca? Lula é sempre generoso! Não vai lhe dar, claro, uma mansão no centro da cidade. Mas lhe promete a casa mais bonita da periferia, onde ele pode se exibir na janela, feito Glorinha, a rapariga do coronel Jesuíno Gomes, de Gabriela (novela e romance). Na TV, quem encarnava o papel e embalava os sonhos deste escriba, aos 15 anos (1976), era Ana Maria Magalhães… Pronto! Consegui encerrar meu texto com um pensamento que eu me lembro sempre elevado…
Eu vi. Bem feito, cheio de truques e números camuflados. Pernambuco cresce sim, como disseram, mas não desde que Eduardo é governador.
Pernambuco começou a crescer, de faro, no dia que Miguel Arraes deixou o Palácio das Princesas.
Sobre o desempenho de Ciro, vejam o que escreveu Reinaldo Azevedo:
O PSB ocupou nesta quinta o horário político que lhe cabe. O deputado ex-cearense Ciro Gomes — que agora tem domicílio eleitoral em São Paulo, embora confesse não saber onde fica a Mooca — praticamente monopolizou o programa, secundado pelo verdadeiro dono do partido, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco. Nem no script combinado Campos parecia à vontade dando apoio ao postulante à Presidência da República. E Ciro foi adiante, entre mentiras, enganos e desenganos.
As mentiras
Ciro tem uma fala fluente. Se você não presta atenção ao que diz, corre o risco de se deixar engabelar pela sua logorréia. Abriu o programa com duas mentiras. Sustentou que o aumento real do salário mínimo começou no governo Lula e que foi ele o criador do Bolsa Família.
De 1995 a 2002, no governo FHC, o AUMENTO REAL do mínimo foi de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O Bolsa Família, como é fato, é só um apelido novo para programas sociais criados no… governo FHC! Os petralhas não percam o seu tempo me enviando com números falsos divulgados pelos blogs dos anões a soldo. Tenham ao menos o bom senso de procurar os dados no Dieese e até mesmo no Ministério do Trabalho.
O engano
Ciro se apresentou como um “amigo do presidente Lula”. A sabujice foi um tantinho constrangedora para nós, os telespectadores, que nos acostumamos a vê-lo sempre a dar cotoveladas e caneladas, naquele seu estilo “deixa-que-eu-chuto”. E ainda fez mais.
Abusando um tantinho da metáfora, escrevi aqui outro dia que Ciro descobria tardiamente que sua relação com o PT não era para casar. Lula o queria como concubina — ou, sei lá, um “menino do MEP”, porém numa relação consentida. Isto: mudo a metáfora. Lula o quer como seu “Menino da Arena” (onde ele despontou para a política). Mas “o menino” confundiu tudo. Aspirava à condição de “favorita” (epa!) ou mesmo de primeira esposa. Aí não dá!
No programa, pagou o mico de sugerir que ele foi mais fiel a Lula do que alguns petistas. Havia ali, claro, uma ponta de ressentimento; havia ali uma ponta de cobrança: “Fiz tudo, mas o coroné escolheu outra”. Pois é…
Ciro chegou a andar pra cima e pra baixo com Mangabeira Unger, mas não conseguiu entender o PT. Ou não entendeu o inglês de Mangabeira. Ou não entendeu seu português. Vai saber… Sempre esteve enganado sobre a natureza do partido.
Lula é um líder maior do que o PT, mas o partido se entende como um ente, um organismo vivo, apto a substituir a sociedade e suas instâncias representativas. Apelando, assim, a uma linguagem que vem da ontologia (embora sirva à “antalogia“), pode-se afirmar que, para um petista, “ninguém É se não for do partido”. Entendeu, Ciro? Quer um desenho?
O desengano
Do engano, vem o desengano. Não será o candidato de Lula. A candidata é Dilma. Um tantinho triste, Ciro então se apresenta também como o “pós-Lula”: sem citar nomes, afirmou que uma candidatura é o passado (referia-se ao PSDB), outra é o presente (referia-se a Dilma), e só ele próprio é o futuro.
Posso imaginar um petista da cúpula assistindo ao programa e vendo um mero “aliado” se oferecendo para ser a continuidade ou a renovação do petismo. Ciro volta e meia cita Gramsci. Ou não leu ou não entendeu.
Candidato
O presidente ainda não abandonou a idéia de fazê-lo candidato ao governo de São Paulo e tê-lo como atirador de aluguel — um aluguel amoroso, de Lula para “Menino da Arena” — em São Paulo. Não para ganhar o Palácio dos Bandeirantes (seria esmagado por Geraldo Alckmin), mas para tentar desconstruir a imagem de José Serra caso o atual governador concorra mesmo à Presidência.
E o que Ciro ganha em troca? Lula é sempre generoso! Não vai lhe dar, claro, uma mansão no centro da cidade. Mas lhe promete a casa mais bonita da periferia, onde ele pode se exibir na janela, feito Glorinha, a rapariga do coronel Jesuíno Gomes, de Gabriela (novela e romance). Na TV, quem encarnava o papel e embalava os sonhos deste escriba, aos 15 anos (1976), era Ana Maria Magalhães… Pronto! Consegui encerrar meu texto com um pensamento que eu me lembro sempre elevado…
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